sábado, 20 de novembro de 2010

O que aconteceu com os lambe-lambes?

Quem já passou dos 40 anos deve ter, seja na sua memória, seja em uma foto antiga, tirada em um parque, a lembrança dos chamados fotógrafos lambe-lambes.Os mais jovens talvez nem saibam que profissional é esse,mas eles podem ainda ser encontrados em parque e praças espalhados pelo Brasil.Tudo bem que já não carregam mais aquela maquina enorme,de madeira, com um pano escuro na parte traseira,onde o fotógrafo colocava o rosto para tirar e revelar fotos - mas ainda estão por lá.Desse processo original ficara, o curioso nome de lambe-lambe,que veio da necessidade que o fotógrafo tinha de lamber o filme fotográfico para saber, na câmara escura, qual era o lado da emulsão, sensível a luz, e, é claro, as lembranças.
Pedro Malazarte, de 56 anos, vive há 22 da profissão de lambe-lambe no Parque Municipal, no centro de Belo Horizonte.O equipamento que usa não lembra, nem de longe, as câmeras de madeira que já foram a marca registrada dos lambe-lambes.O equipamento parece mais um carrinho de sorvete, mas originalmente era um laboratório móvel para revelar fotos coloridas, que foi desativado e adaptado para dar lugar às novas tecnologias.Malazarte por três gerações de lambe-lambe.A primeira, dos caixotes de madeira, onde a foto era feita e revelada dentro da câmera e depois lavada em um balde com agua.A segunda, da revelação colorida: a foto era tirada com uma máquina de filme,o negativo era cortado e revelado em um minilaboratorio e depois era feita, dentro do carrinho, uma ampliação em papel, que depois era revelada.Agora é um lambe-lambe "digital", ou um "neo-lambe-lambe". O processo, segundo ele, ficou muito mais fácil.Com uma câmera compacta Canon de 7.1 megapixels e uma impressora de jato de tinta da mesma marca, ele tira e imprime fotos em tamanhos que variam de 2x2cm a 10x15cm em cinco minutos.Não precisa mais se preocupar com o prazo de validade dos químicos, que ficam velhos,nem com regulagens de filtros de cor,que são sempre necessárias durante a revelação.Para alimentar a impressora,Malazarte usa uma bateria de carro de 12 volts, que raramente precisa receber uma carga extra.Para ele, o resultado do trabalho melhorou "em 70%" com o advento das câmeras digitais, que começou a usar há 3 anos.Malazarte lembra que, no principio, a mudança não foi espontânea,mas sim uma necessidade, já que os químicos usados para revelar as fotos coloridas começaram a faltar no mercado.
O sorriso no rosto do fotógrafo some rapidamente apenas quando pergunto sobre os telefones celulares equipados com maquinas fotográficas."A concorrência é desleal.De cada mil turistas que vem ao parque, 800 têm celulares com câmeras ou maquinas digitais" calcula.Mas ainda é possível faturar,segundo ele cerca de R$800 por mês.Isso porque a maioria dos trabalhos é de fotos 3x4, para documentos.A impressora faz 8 fotos 3x4 de uma vez só,em uma unica folha.Ele cobra R$8 dos visitantes, e o custo fica em pouco mais de R$1.Enquanto ele dava entrevista,Malazarte teve de parar alguns minutos para atender um casal que pediu para fazer uma foto ao lado da filha, assentada em uma zebrinha.Em poucos minutos, mais R$5 no bolso.

Fonte: Revista Photographer Brasil

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Foto de guepardo após incêndio vence concurso europeu

Imagem mostra um guepardo aparentemente desorientado, correndo em busca de presas por uma área recém-incendiada



Um guepardo caçando após um incêndio, uma tartaruga surfando numa onda e uma joaninha se equilibrando sobre um cogumelo são algumas das fotos escolhidas pelo concurso de fotografias GDT European Wildlife Photographer 2010.
A fotógrafa alemã Britta Jaschinski, que vive em Londres, foi a grande vencedora, com uma foto em preto-e-branco de um guepardo em Ndutu, Tanzânia.
Ela foi a primeira mulher a vencer o prêmio geral do concurso, que está na décima edição e é organizado pela Gesellschaft Deutscher Tierfotografen, a Sociedade Alemã de Fotógrafos de Natureza.
"Os guepardos são uma espécie altamente em risco (...). Acho que essa foto reflete isso muito bem; ela dá uma noção da vulnerabilidade da espécie", diz Jaschinski.

A imagem mostra um guepardo aparentemente desorientado, correndo em busca de presas por uma área recém-incendiada. 

A fotografia venceu outras 11 mil concorrentes, tiradas por fotógrafos de 29 países.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Controvérsia : HDR é do bem ou do mal?

Esqueça o velho debate "filme vs digital". O tópico que tem deixado muitos fotógrafos em fúria, trocando farpas em fóruns,é o HDR (High Dinamic Range ou Alto Alcance Dinâmico).Não por causa da técnica em si, mas da estética que ela pode proporcionar. A técnica consiste simplesmente na mesclagem de imagens de uma mesma cena com exposições diferentes, criando uma imagem combinada com alcance tonal mais extenso,capaz de sugerir melhor a realidade conforme é interpretada pelos nossos olhos.Graças ao HDR, cenas de contraste extremo podem ser capturada em todos seus detalhes, de uma forma que não seria possível em apenas uma exposição com sensores digitais ou filmes. O fato de essa técnica pode ser aplicada de maneira pesada e forçada é o que divide as opiniões."Simplesmente não gosto desse efeito de pintura' criado em muitas imagens HDR", queixa-se um fotógrafo."Por outro lado,já vi imagens em que eu não teria certeza de que técnicas HDR foram usadas se o autor não tivesse contado".
O HDR é uma ferramenta muito util: com ela, os fotógrafos não precisam ter medo de clicar virados para o Sol.Por que o olho humano consegue lidar com essas cenas e uma câmera não?Isso ocorre porque o olho humano tem um alcance dinâmico (latitude) muito superior ao do sensor digital. Traduzindo: nós podemos perceber uma variação maior entre luzes altas e baixas.Nossos olhos podem captar certa de 18 pontos diferentes de luz sem que a abertura da nossa pupila se altere.Todavia, um sensor de câmera atinge apenas 11 pontos de alcance dinâmico, segundo informa a Canon.(Filmes negativos tem uma latitude de exposição - o termo tradicional para alcance dinâmico- bastante extensa, permitindo o truque da "puxada": expor e depois revelar um filme como se fosse de ISO mais elevado.)
Não hesitamos em colocar o HDR em destaque na capa da segunda edição da DPBR, chamando para um artigo que explica os ajustes de tripé e câmera necessários para capturar as imagens, mas deixando os critérios estéticos por conta do leitor.O HDR tem a capacidade de produzir imagens que dão impressão de que podemos entrar dentro delas - desde que a pessoa que aperta os botões tenha noção do que está fazendo.A galeria de imagens no nosso website prova que a técnica é igualmente explorada por profissionais e amadores, apesar das críticas que está sujeita a receber dos primeiros.
É incomum que uma técnica que remonta aos dias da alquimia na sala escura ganhe relevância tão de repente.O fotógrafo francês Gustave Le Gray é considerado o pioneiro das imagens HDR,trabalhando com elas já na década de 1850.Insatisfeito com as limitações do equipamento fotográfico ,ele buscou um modo de expor corretamente o céu e o mar numa mesma imagem.Ao combinar dois negativos - um para a água e o outro para as nuvens - a fotografia de exteriores como ele desejava tornou-se possível.
Outro mestre pioneiro do HDR foi Ansel Adams, que calculava e correlacionava sistematicamente a latitude de todas as etapas do processo com filme.Ele previa o nível exato de detalhe que seria registrado no negativo e na cópia.William Turnage, do Angel Adams Trust, grupo que controla os direitos da obra do grande fotógrafo norte-americano, conta: "Ele manipulava as fotos ao extremo.Dizia que o negativo equivalia à performance de um maestro: a mesma peça de Mozart pode ser regida de maneira diferente e executada de maneira diferente por diversas orquestras e maestros. Ansel 'regia' seus negativos de uma maneira peculiar.
A causa imediata do interesse no HDR é a acessibilidade do software de edição.Tudo começou com a ferramente Merge to HDR do Photoshop CS2.Michael Reichmann, do renomado site The Luminous Landscape, apresentou o recurso de maneira dramática, comparando-o à energia nuclear, já que pode ser usado "para o bem ou para o mal".E acrescenta? "Nem toda imagem precisa de 10 a 15 pontos de alcance dinâmico.Na verdade, a maioria das fotos fica muito bonita com os 5 a 7 pontos a que estamos acostumados.Espero ver muitas imagens feias e cretinas até que os fotógrafos entendam melhor do que o recurso é capaz."Essa profecia de cinco anos atrás confirmou-se com a aparência de "história em quadrinhos" que muitas imagens assumem quando a conversão HDR é feita com a mão pesada.O fotógrafo Gareth Kirby, autor da foto acima, defende sua criação:"Um processamento HDR intenso como o da minha imagem, embora não seja para todos os gostos, tem o seu lugar.Eu queria que o grafitti e a decadência industrial saltassem aos olhos.Uma técnica sutil não me daria o efeito que eu buscava."Com efeito, foram os exemplos de Gsreth e o inspiraram a aprender a técnica.
Como sempre, a fotografia é subjetiva, e nada evidencia mais esse fato que o feroz debate sobre o HDR.

Fonte: www.fotografodigital.com.br


Exemplos de HDR:

David Gn Photography
vgm8383
David Briard
R.Duran
David Gn Photography