quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Controvérsia : HDR é do bem ou do mal?

Esqueça o velho debate "filme vs digital". O tópico que tem deixado muitos fotógrafos em fúria, trocando farpas em fóruns,é o HDR (High Dinamic Range ou Alto Alcance Dinâmico).Não por causa da técnica em si, mas da estética que ela pode proporcionar. A técnica consiste simplesmente na mesclagem de imagens de uma mesma cena com exposições diferentes, criando uma imagem combinada com alcance tonal mais extenso,capaz de sugerir melhor a realidade conforme é interpretada pelos nossos olhos.Graças ao HDR, cenas de contraste extremo podem ser capturada em todos seus detalhes, de uma forma que não seria possível em apenas uma exposição com sensores digitais ou filmes. O fato de essa técnica pode ser aplicada de maneira pesada e forçada é o que divide as opiniões."Simplesmente não gosto desse efeito de pintura' criado em muitas imagens HDR", queixa-se um fotógrafo."Por outro lado,já vi imagens em que eu não teria certeza de que técnicas HDR foram usadas se o autor não tivesse contado".
O HDR é uma ferramenta muito util: com ela, os fotógrafos não precisam ter medo de clicar virados para o Sol.Por que o olho humano consegue lidar com essas cenas e uma câmera não?Isso ocorre porque o olho humano tem um alcance dinâmico (latitude) muito superior ao do sensor digital. Traduzindo: nós podemos perceber uma variação maior entre luzes altas e baixas.Nossos olhos podem captar certa de 18 pontos diferentes de luz sem que a abertura da nossa pupila se altere.Todavia, um sensor de câmera atinge apenas 11 pontos de alcance dinâmico, segundo informa a Canon.(Filmes negativos tem uma latitude de exposição - o termo tradicional para alcance dinâmico- bastante extensa, permitindo o truque da "puxada": expor e depois revelar um filme como se fosse de ISO mais elevado.)
Não hesitamos em colocar o HDR em destaque na capa da segunda edição da DPBR, chamando para um artigo que explica os ajustes de tripé e câmera necessários para capturar as imagens, mas deixando os critérios estéticos por conta do leitor.O HDR tem a capacidade de produzir imagens que dão impressão de que podemos entrar dentro delas - desde que a pessoa que aperta os botões tenha noção do que está fazendo.A galeria de imagens no nosso website prova que a técnica é igualmente explorada por profissionais e amadores, apesar das críticas que está sujeita a receber dos primeiros.
É incomum que uma técnica que remonta aos dias da alquimia na sala escura ganhe relevância tão de repente.O fotógrafo francês Gustave Le Gray é considerado o pioneiro das imagens HDR,trabalhando com elas já na década de 1850.Insatisfeito com as limitações do equipamento fotográfico ,ele buscou um modo de expor corretamente o céu e o mar numa mesma imagem.Ao combinar dois negativos - um para a água e o outro para as nuvens - a fotografia de exteriores como ele desejava tornou-se possível.
Outro mestre pioneiro do HDR foi Ansel Adams, que calculava e correlacionava sistematicamente a latitude de todas as etapas do processo com filme.Ele previa o nível exato de detalhe que seria registrado no negativo e na cópia.William Turnage, do Angel Adams Trust, grupo que controla os direitos da obra do grande fotógrafo norte-americano, conta: "Ele manipulava as fotos ao extremo.Dizia que o negativo equivalia à performance de um maestro: a mesma peça de Mozart pode ser regida de maneira diferente e executada de maneira diferente por diversas orquestras e maestros. Ansel 'regia' seus negativos de uma maneira peculiar.
A causa imediata do interesse no HDR é a acessibilidade do software de edição.Tudo começou com a ferramente Merge to HDR do Photoshop CS2.Michael Reichmann, do renomado site The Luminous Landscape, apresentou o recurso de maneira dramática, comparando-o à energia nuclear, já que pode ser usado "para o bem ou para o mal".E acrescenta? "Nem toda imagem precisa de 10 a 15 pontos de alcance dinâmico.Na verdade, a maioria das fotos fica muito bonita com os 5 a 7 pontos a que estamos acostumados.Espero ver muitas imagens feias e cretinas até que os fotógrafos entendam melhor do que o recurso é capaz."Essa profecia de cinco anos atrás confirmou-se com a aparência de "história em quadrinhos" que muitas imagens assumem quando a conversão HDR é feita com a mão pesada.O fotógrafo Gareth Kirby, autor da foto acima, defende sua criação:"Um processamento HDR intenso como o da minha imagem, embora não seja para todos os gostos, tem o seu lugar.Eu queria que o grafitti e a decadência industrial saltassem aos olhos.Uma técnica sutil não me daria o efeito que eu buscava."Com efeito, foram os exemplos de Gsreth e o inspiraram a aprender a técnica.
Como sempre, a fotografia é subjetiva, e nada evidencia mais esse fato que o feroz debate sobre o HDR.

Fonte: www.fotografodigital.com.br


Exemplos de HDR:

David Gn Photography
vgm8383
David Briard
R.Duran
David Gn Photography

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