Quem já passou dos 40 anos deve ter, seja na sua memória, seja em uma foto antiga, tirada em um parque, a lembrança dos chamados fotógrafos lambe-lambes.Os mais jovens talvez nem saibam que profissional é esse,mas eles podem ainda ser encontrados em parque e praças espalhados pelo Brasil.Tudo bem que já não carregam mais aquela maquina enorme,de madeira, com um pano escuro na parte traseira,onde o fotógrafo colocava o rosto para tirar e revelar fotos - mas ainda estão por lá.Desse processo original ficara, o curioso nome de lambe-lambe,que veio da necessidade que o fotógrafo tinha de lamber o filme fotográfico para saber, na câmara escura, qual era o lado da emulsão, sensível a luz, e, é claro, as lembranças.
Pedro Malazarte, de 56 anos, vive há 22 da profissão de lambe-lambe no Parque Municipal, no centro de Belo Horizonte.O equipamento que usa não lembra, nem de longe, as câmeras de madeira que já foram a marca registrada dos lambe-lambes.O equipamento parece mais um carrinho de sorvete, mas originalmente era um laboratório móvel para revelar fotos coloridas, que foi desativado e adaptado para dar lugar às novas tecnologias.Malazarte por três gerações de lambe-lambe.A primeira, dos caixotes de madeira, onde a foto era feita e revelada dentro da câmera e depois lavada em um balde com agua.A segunda, da revelação colorida: a foto era tirada com uma máquina de filme,o negativo era cortado e revelado em um minilaboratorio e depois era feita, dentro do carrinho, uma ampliação em papel, que depois era revelada.Agora é um lambe-lambe "digital", ou um "neo-lambe-lambe". O processo, segundo ele, ficou muito mais fácil.Com uma câmera compacta Canon de 7.1 megapixels e uma impressora de jato de tinta da mesma marca, ele tira e imprime fotos em tamanhos que variam de 2x2cm a 10x15cm em cinco minutos.Não precisa mais se preocupar com o prazo de validade dos químicos, que ficam velhos,nem com regulagens de filtros de cor,que são sempre necessárias durante a revelação.Para alimentar a impressora,Malazarte usa uma bateria de carro de 12 volts, que raramente precisa receber uma carga extra.Para ele, o resultado do trabalho melhorou "em 70%" com o advento das câmeras digitais, que começou a usar há 3 anos.Malazarte lembra que, no principio, a mudança não foi espontânea,mas sim uma necessidade, já que os químicos usados para revelar as fotos coloridas começaram a faltar no mercado.
O sorriso no rosto do fotógrafo some rapidamente apenas quando pergunto sobre os telefones celulares equipados com maquinas fotográficas."A concorrência é desleal.De cada mil turistas que vem ao parque, 800 têm celulares com câmeras ou maquinas digitais" calcula.Mas ainda é possível faturar,segundo ele cerca de R$800 por mês.Isso porque a maioria dos trabalhos é de fotos 3x4, para documentos.A impressora faz 8 fotos 3x4 de uma vez só,em uma unica folha.Ele cobra R$8 dos visitantes, e o custo fica em pouco mais de R$1.Enquanto ele dava entrevista,Malazarte teve de parar alguns minutos para atender um casal que pediu para fazer uma foto ao lado da filha, assentada em uma zebrinha.Em poucos minutos, mais R$5 no bolso.
Fonte: Revista Photographer Brasil


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